sábado, 1 de junho de 2013

LACEY


Algumas vezes eu preciso escrever. Não por que eu estou sentindo, vendo ou ouvindo, mas por que eu simplesmente preciso materializar a energia que sinto através de mim. A história que segue em frente é sobre uma moça que se apaixonou pela África nela. E foi mais ou menos assim. 
Ela estava ansiosa para saudar Santa Sara e ele nem sabia que dia era "hoje". Horas antes da festa a doce moça agitada simplesmente perdeu a vontade de ir, mas foi mesmo sem a menor vontade. Colocou sua saia preta com flores vermelhas e sua blusa de uma única manga para enganar o frio que a cercava. 
Chegando na festa ela sentiu como se uma energia a envolvesse e a fizesse estar simplesmente ali. Reviu os amigos e conheceu mais uma amiga para seu ciclo de amizade. Elas conversam animadas quando seus olhos cruzaram com os dele e tudo simplesmente parou ao seu redor. Não havia pessoas, decoração ou bebidas, havia apenas ele e ela se olhando enquanto a musica tocava. Aqueles dois minutos foram uma eternidade de sentimento, como se suas almas dançassem em uma dimensão que ninguém vê. Ela sentiu um frio na barriga e desviou o olhar com toda dificuldade. Olhou para o altar e suplicou a Santa Sara por aquele homem e foi atendida.
Agora seu coração dançava levando seu corpo ao bailar cigano como se um imã em cada passo a conduzisse para ele. Ela não o olhava, mas seu corpo o via observando e a seguindo como os olhos e o coração. Era ela uma fêmea fazendo a dança do acasalamento enquanto ele era o macho a cercando e andando ao redor pronto a dominá-la por inteiro, corpo e alma. 
Ele olhou para ela e abriu um sorriso enquanto seu corpo dançante tentava se comunicar. Ela revidou a conversa e falou com ele num ato de ousadia. Ela estava determinada a tê-lo. Ele não falava sua língua, mas eles simplesmente se entendiam. Eles, cada vez mais perto, não conseguiam mais se conter. A troca de sentimentos em palavras. Ele penetrava sua alma com os olhos e ela percorria seu interior com o olhar. Respiração ofegante e coração acelerado. Corpo vibrando e com uma excitação longe do normal. Mão tremula, olhos fixos e boca cada vez mais perto. Ele a beijou! Era como se ela se sentisse por inteira em contato com Deus. Ela podia tocar o céu, abraçar as estrelas, beijar o sol e até dançar com a lua se quisesse. Agora ela era parte de um todo, era uma com o universo.  Ela sentia que podia voar e seu abraço simplesmente a completou. Quando voltaram a si, ele estava dançando “Volare” com ela e ela admirada com tanta plenitude apenas o olhava sorrindo não só com os lábios, mas também com a alma. 
Saíram da festa como se tivesse acabado ali a musica. Precisavam um do outro como precisamos de ar para viver. O corpo dela todo aceso e ela sentindo-se viva como se sentiu poucas vezes na vida. Ela o levou para casa e arrancaram suas roupas avassaladoramente. Ele entrou nela e para ela aquele momento poderia para ali e ser eterno dentro de cada um. Não havia passado, presente ou futuro. Ela o queria e ele a queria. Eles se tinham e se têm. Eles tinham o aqui e o agora.
Alguns encontros estão marcados na vida para acontecer. Quando acontecem são avassaladores. Não importa se essa pessoa vai ficar na sua vida por 1 minuto, um dia ou a vida inteira. Vocês têm a eternidade. É como se o tempo não existisse e agora essa pessoa é parte de você. A existência é justificada mais uma vez e somos felizes por essa pessoa existir, pois parte de você vive. Como se essa pessoa trouxesse mais uma cor para completar seu arco íris. 
Ele sentiu amor quando olhou para ela. Ela sentiu amor quando olhou para ele. Ele a quer muito. Ela é grata por ele existir. Não precisam de palavras para dizer o que sente. No silêncio as almas deles conversam, amam e dançam ao som dos ciganos e da batida dos corações. Ele precisa ir e expressa o desejo de reencontrar. Ela se sente grata a Deus faz a prece: 

"Deus, eu não sei se vou voltar a vê-lo, mas eu quero. Apenas não sei se mereço  posso. Porém hoje, aqui, agora, nesse exato abraço em que minha alma se faz uma com ele preciso dizer que sou grata por esse momento. Gratidão é o que sinto por essa chance de ter parte de mim em mim. Eu não preciso de mais nada. Eu já o tenho. E o terei para o resto da minha vida, pois sempre que eu fechar os olhos vou vê-lo sorrindo pra mim. Se o senhor achar que o mereço na minha vida eu aceito de bom grado. Não conheço seus planos, mas confio plenamente em ti. Mas hoje que eu tenho o aqui e o agora, preciso que saiba Deus que eu estou grata por ele existir e serás parte de mim sempre e sempre. Amém!"

Ela pensou: Eu te amo! Ele a abraçou forte como se a pudesse ouvir. Despediu-se e disse "Não chore." Mas para ela era impossível segurar as lágrimas que insistiam em correr pelo seu rosto enquanto encostada ao portão o via partir após uma semana que nunca terá fim. Não eram lágrimas de tristeza, mas sim de alegria, de saudade e de amor por ele e por si. 



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O amor de Maya



Por muitas vezes o que senti no peito me levou a escrever. Hoje não será diferente, será talvez um pouco mais triste.
Eu já disse que mentiras me arrancam a pele e deixam minha alma exposta? Já disse que a verdade é sempre meu melhor caminho? Então por que ainda insistem em me fazer chorar? Nada foi o suficiente? Por favor, parem com isso, eu já não posso mais suportar.
Eu vi o amor chegar em um cafuné enrolado. Eu senti dúvida e medo, pois o perfeito sinceramente me apavora. Seria muito mais fácil fugir ou mandar embora. Porém, eu quis ficar e desejei com minha alma que ele ficasse. Eu acreditei em cada segundo e agora simplesmente não sei para onde vou.
Tentei manter meus pés no chão enquanto meu coração apenas queria voar e se entregar aos sonhos não realizados. Quebrei barreiras e desejei até a união eterna de corpos que se acabam e almas que continuam se amando por vidas e vidas. Planejei, sonhei, compartilhei e agora eu simplesmente não sei o que fazer com tudo isso jogado diante de mim.
Quantas vezes eu devo perdoar? Setenta vezes sete ou nenhuma? Para que serve o perdão se eu não enxergo mais a confiança diante de mim? Eu não sei mais no que acreditar e para mim parece mais fácil ver fadas que um amor sincero. Perguntas onde estão suas respostas? Respostas levem embora suas perguntas. Afinal, não quero que me definam mais o amor? A solidão é realmente tão ruim? Esse pode ser um caminho ou não.
Meu coração parou! O ar mal entra em meus pulmões. É como se eu estivesse em uma história regida por Maya, oh Deusa da ilusão. Será que a Deusa do amor é Maya? Será que sabemos mesmo como amar? Meu corpo dói e essa febre que corrói meu sentir.
Olha nos meus olhos e me diz que você vê alguma invenção. Não será capaz disso! Não posso mais acreditar em promessas e juramentos. Não quero mais saber de uniões estáveis e instáveis. As pessoas mataram o amor da mesma forma que mataram Deus.

E eu?! Eu hoje quero apenas ficar só com minhas lagrimas diante de histórias tão tristes, de musicas tão sofridas e de um silêncio que me nina feito criança que precisa de colo para chorar até dormir.  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Não são seus! Não são de ninguém!



Alguns dias realmente não são nossos. Vêm e vão como se você fosse um estrangeiro em seu próprio corpo. O seu mundo já não parece mais seu. Foi tomado por sentimentos confusos que lhe tiram o ar. Você olha para dentro e lá fora parece muito melhor. O caos está despenteando seus cabelos. Você tenta fugir de dentro de si e se vê presa a correntes que só você sente. O silêncio ensurdece e para onde quer que você olhe só existe uma direção que você queria ir. Você tenta seguir e a lua simplesmente tenta ser generosa com sua luz. Porém, você está com frio e isso te impede de ver a direção. Nenhuma mão nem expressão, nenhum sinal de fumaça que mostre que o coração é feito de carne e que tudo tem valido a pena. À distância, a importância, a razão sem a menor razão, a loucura está me parecendo a melhor e mais sensata companhia. Qual seu nome?
Alguns dias realmente não são seus. Vêm e vão como se fossem dias de outros. O sinal não fecha, o açúcar acaba, a mensagem não chega, o abraço não existe, a musica não toca e parece que nada vai ter sentido. E quando você dá um grito de fuga sem ao menos soltar um som, uma mensagem divina, de um Deus que não deseja ouvir barulhos, acalenta seu coração que já bate fraco e sem vontade de insistir. Você escreve por que é a única maneira de fazer essa chuva passar. Você quer sentar na praia e passar o dia ouvindo o mar e quem sabe numa certa hora se jogar nos braços frio de um horizonte gelado e se deixar levar pelas ondas para onde você queria estar.
Alguns dias não são seus, não podem ser e não devem ser. Vêm quietos, bagunçam tudo e depois vão. Você não escuta sequer o barulho no assoalho. Vêm e deixam você para traz, em frente a outros. A fogueira ameaça apagar. Você ameaça jogar tudo num rio e ir embora apenas com a roupa do corpo para um lugar novo, com tudo novo e um interior que precisa se renovar. Você não encontra a direção agora, mas encontrará. Você se joga de um abismo por que sabe que pode voar enquanto o resto de mundo se prende a segurança de um chão duro e quente de um ar abafado que não nos permite respirar.
Você se questiona como pode um peixe vivo viver fora da água fria. E segue buscando as respostas de perguntas não feitas. Segue tentando arrumar a casa e jogando tudo fora. O caminhão de mudança é apenas uma mala e tudo que você precisa cabe nela.  

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O amor o trouxe de volta



Quando o vi morrendo acreditei que Deus poderia salva-lo e que meu amor
 o traria de volta para a vida, mesmo que eu tivesse que partir.


Eu soube do acidente de noite e aquela noite não acabaria até vê-lo sorrir. Eu clamava a Deus que não o levasse. Eu briguei com Deus, o pus contra a parede sem lembrar que sou nada diante da sua divindade. Mas Deus é piedoso e conhece o coração de cada filho. Eu implorei a Deus uma chance de poder cuidar dele e vê-lo vivo ao meu lado. Não pensava se voltaríamos ou se sequer íamos manter contato. Bastava ele estar vivo e eu já seria feliz.
Amanheceu e entardeceu, e eu simplesmente estava ali ao lado dele com minhas caricias na cabeça, minha voz suavemente no seu ouvido que o faziam reagir e minhas lágrimas escondidas. Dia após dia, eu estava ali para lembra-lo que o amor o traria de volta.  
Os médicos diziam que ele poderia não sobreviver e meu corpo era tomado por um frio como se tivesse chegado a mim uma tempestade de inverno. Mas logo sentia minhas mãos na pele quente dele e meu corpo se enchia de esperança por que meu coração me dizia que ele viveria.
Foram dias de incerteza e dor. Dias que nem o sol aquecia meu peito. Pensar em não tê-lo mais aqui roubava o meu céu. Meus amigos oravam e eu apenas suplicava a Deus por boas noticias. Até que um dia uma amiga disse que naquele dia eu o veria sorrir e foi Deus falando através dela por que naquele dia a notícia que eu mais esperava chegou, o fim do coma. Eu não contive minhas lágrimas e sai correndo para o hospital. Precisava olhar nos olhos dele.
Ele olhou pra mim e disse meu nome e eu não contive minha emoção que transbordou pelo rosto enquando o meu corpo todo tremia. Era como se eu sonhasse vendo ele ali olhando pra mim. Dia após dia eu ali, até que ele pensou no que eu nem lembrava. Estamos juntos! E me roubou um beijo e eu lembrei que o vento que apaga velas é o mesmo que atiça as fogueiras.
Hoje olho para ele a cada manhã e sinto em mim uma certeza que o quero a cada dia. Quero que seja a última pessoa que vejo antes de dormir e a primeira quando eu acordar. Sinto seu abraço e recebo seu carinho e sou grata a Deus por me ouvir. Acordo como as princesas acordam e durmo como as pessoas que amam dormem. Feliz! É o beijo que me desperta e o abraço que me acolhe, aquece e me faz adormecer em paz.

E fico triste por quem acredita no tempo como a sociedade impõe e se priva de viver histórias de amor tão intensas quanto a nossa. Por que o amor na sua ternura nunca precisou do tempo para brotar ou se reavivar em alguém. O amor é livre! E eu aprendi mais uma vez sobre a fé, a esperança e o amor, por que esse trio é o que nos mantem vivo e em algumas vezes o que nos traz de volta para vida. E ele voltou pra mim!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Pode ser


Pode ser que seja esse o momento. Pode ser que não! Mas se for já começou bonito. Uma noite de chuva e cavalheirismo, onde a gentileza me abraçou e me questionou se era errado dar-me seu carinho. Meu coração bateu forte como o vento que derruba árvores e senti minhas raízes sendo arrancadas do chão úmido abaixo dos meus pés quando meus lábios tocaram aquele sorriso que longe eu admirei.

As horas se tornaram segundo e eu desejei que fossem congelados pelo frio que dançava ao nosso redor. Aquele abraço me envolvia e eu rapidamente pensava em nada pensar. A chuva não esfriava meu corpo e meus olhos fechados faziam meu ser mais sensível às batidas do outro coração. Mas era hora de partir e a certeza do dia seguinte me deixou feliz. Aquela noite seria quase impossível de dormir.


Cheguei em casa e me joguei na cama como adolescente que precisava sonhar, não pensar e relembrar cada instante. Fechei meus olhos e reproduzi em mim as sensações do primeiro beijo através de cada lembrança viva. Assim eu simplesmente dormi sem me preocupar com o amanhã... Eu simplesmente tinha o agora. 


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lembranças Agridoce



É tudo que eu levo comigo de cada passo da minha vida. E junto a todas essas lembranças uma esperança de emoções que guardo tão dentro e dentro. Às vezes, quando fico sozinha, sinto sua falta e sou tomada por lembranças que me fazem chorar sem que ninguém veja. Sei que de alguma forma você pode me ver, não pode? Queria poder te tocar e sentir novamente aquele toque de suas mãos que tanto me falam, em pleno silêncio, de amor.

Eu posso dizer que vou sempre te amar, só não me peça pra deixar de ter esses momentos que meu coração se aperta de saudades suas. Você foi embora e eu não descobri ainda como te dizer tchau, por que Adeus não existe para o espírito. Então, até um dia se eu merecer. Não pense que sou egoísta de te querer aqui daquela forma tão doída, mas não me julgue por essa nostalgia que me fere quando deixo minha mente livre dessa correria que é meu pensar.

Hoje por exemplo quando fui pentear meu cabelo lembrei-me da mesma cena na sua casa. Meu coração ficou tão quietinho e eu tentava fugir da minha mente antes que minha saudade viesse aos meus olhos tão frios. Sabe às vezes me sinto muito sozinha, ainda mais quando meu filho vai embora. A senhora olha por ele às vezes? Sei que alguma forma é sim.

Eu continuo minha vida, a pouco tempo até me apaixonei. A senhora sabe disso? Ele é uma pessoa linda, mas eu tive que ir embora por que eu estava sofrendo mais que sendo feliz. Não, não o culpo. Por que sempre temos que ter um culpado né? Apenas não deu certo e eu voltei a me sentir mais sozinha ainda. A senhora sabe bem o que é isso né?!

Ultimamente eu estou tendo ficar longe das pessoas que amo. Talvez isso seja um aprendizado né!? Mas o fato é que mesmo o fardo sendo pesado e a vida pra mim uma grande luta, sabe que eu não vou reclama. Nunca fui disso, prefiro ser grata e confiar na providência divina e no grande amor de Deus que hoje a senhora está mais perto que eu. Engraçado como a fé é o me leva à senhora.

Bom tia, vou ficar por aqui na certeza que está lendo isso enquanto escrevo. Quero reforçar o quanto te amo e pedir que interceda sempre por mim, meu filho e nossa família. Sigo pensando em você! Sigo sentindo sua falta! Mas cada dia que termina é um dia menos sem te ver. A Terra é só mais uma estrada e tudo que eu tenho de verdade é o amor. E tudo que levo comigo são lembranças agridoces de um tempo que eu estive que tenho e que eu ainda vou ter. 

Beijos com amor de todo meu amor
Com todo orgulho,

Sua sobrinha. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

De todo meu amor serei atento

Assim como o vento passa pelas folhas sem a árvore derruba, isso também vai passar sem eu ao mesmo chegar perto do chão. 



Eu acreditei quando ninguém acreditava que ele poderia ser sutil e amável. Eu escutava suas palavras tão rústicas de histórias que ele simplesmente precisava contar. Eu enxergava o belo por traz de toda aquela auto afirmação de um ego menino. Como a Bela e a Fera, eu sabia que por traz daquele ser tão medonho para o mundo havia um menino que queria carinho e eu queria oferecer meu carinho, meu cuidado, meu amor. 

Dos longos três meses que vivemos, o primeiro eu posso dizer que eu deitava minha cabeça no travesseiro e suspirava pensando nele. Eu o queria pra mim, queria estar com ele e mostrar o quanto eu o desejava. As cartas falavam de um Maktub não tão feliz, mas eu apostava com a minha forma de ver a vida que eu poderia fazer desse acerto de contas uma história sutil e feliz. 

Eu conhecia seu temperamento de longe e confesso que as vezes me parecia irreal. Até que um dia eu experimentei na pele e na alma desse furacão explosivo que ele é. Chorei por dias com aquela magoa que me corroía as entranhas. Mas meu coração gritou mais alto que as minhas lembranças. Doía. Mais estar sem ele doía mais do que estar com ele e aguentar seu temperamento explosivamente intolerante. 

Quando o medo de vê uma história se repetindo bateu em mim eu simplesmente estava sozinha. Ele fez disso uma guerra e apenas eu saí ferida. Sempre sendo acusada e julgada, ele jogava toda culpa em mim. Mas não posso ser injusta e não dizer que muitas vezes me senti uma princesa com ele. Observei e senti cada cuidado, cada gesto, cada olhar de carinho dele por mim. Não duvido do que ele sente, duvido dessa pessoa misteriosa que ele se tornou de um tempo pra cá. Eu sinta falta daquele homem doce que um dia me disse sentado no carro que daqui a 50 anos ainda lembrar-se-ia daquele momento.

Eu sabia que uma hora eu ia desistir, mas eu quis ir até o final. Eu sabia que eu ia me magoar e chorar, mas eu precisava ir até meu limite emocional. Até que um dia eu comecei a me sentir triste, sozinha e me dei conta de que minha alta estima não havia sido alimentada e que o amor é como uma fogueira que não sobrevive sem lenha. Eu doei tudo que eu tinha dentro de mim e não havia mais o que oferecer a não ser meu apelo em forma errada de cobrança. Eu tentei falar, mas ele não soube ouvir e nem tenta admitir. 

Eu abrir mão quando já não podia mais dar nenhum passo em sua direção. Quando apenas não queria dar desculpas. Liguei e coloquei um ponto final com meu sentimento bagunçado dentro de mim. A ração precisava me tirar dali. Era como se fossem duas de mim, uma pegava a outra no colo e saía de perto dele. Eu acreditei que ia ser fácil, que ele não ia me procurar. Mas ele simplesmente não me deixou esquece-lo. Era como se em cada ligação eu o respirasse. Eu chorei em cada tchau, meu coração parou em cada alô e em cada noite antes de dormir queria sua presença. Eu fui conversar e dar minhas razões, mas não consegui dizer nem a metade do que eu sentia. Vê-lo foi como tocar na ferida e então a ficha caiu. Eu já não tenho mais ele! Não posso toca-lo, ama-lo, senti-lo, beija-lo. Ele me abraçou e eu chorei sem por que, meu coração transbordou. Eu via na minha frente o homem que eu me apaixonei. A consumação do fim foi exatamente onde se deu o início de uma história que só eu acreditei. 

Só eu sei o quanto eu o desejo, o quero e sinto sua falta. Depois de vê-lo onde a onda quebra nas pedras eu chorei por dias lutando contra mim mesma que queria tentar voltar. Eu me fiz convencer que foi o melhor e aguentei a dor de não tê-lo perto de mim. 

Hoje eu o vi e ele estava como aquela pessoa que desisti de ter. Ele brigou, humilhou, falou mal. Dentro de mim era como se eu olhasse no espelho e me visse dizendo "Viu, a gente tinha razão. Aquele homem apaixonante existe, mas é dominado por esse que não controla seus impulsos e magoa sem perceber. Ele ataca como um animal recuado tentando se defender. Chore querida por que sei que está doendo, mas não sinta raiva dele por que não é por mal que ele faz”. 

Eu tentei aguenta o choro que me sufocava por dentro. Algumas lágrimas caíram do meu rosto enquanto eu ouvia acusações do que sou ou deixo de ser. Não quis me defender, como não costumo fazer. Não tenho que provar nada para ninguém e o tempo mostra quem é quem. No fundo, ele sabe que não o que ele insinuava. 

Sai do carro, peguei meu presente e fui embora para minha casa deixando fluir minha vontade de chorar. Eu não olhei para trás e não vou olhar. Tudo que tiver de ser será, mas eu sou dona do meu destino. E eu vou sempre optar por ser feliz. Não posso deixa-lo perto o suficiente para ele me machucar. Por que eu sempre quis uma história bonita. Acreditei que seria e estava disposta para ser. Por que eu nunca quis perfeição, apenas o amor e dei muita prova disso. 


Valeu a lição desse aprendizado que tive. Sou grata a Deus pelas oportunidades de resgatar meus débitos e por de alguma forma ter mudado essa história. Tenho a esperança que de alguma forma eu tenha sido uma influência boa para a evolução de esse ser que vem sendo esculpido por Deus com todo amor. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Liberdade de expressão!



Venho por meio deste demonstrar minha insatisfação. Não falo como representante de turma, falo como indivídua que sou, Ívia Ribeiro. Tenho notado desde o início que somos apenas clientes, longe mesmo de seres humanos. 

Ontem, foi pra mim a gota d`água desse capitalismo selvagem de uma era tão primata. Machuquei meu dedo numa fechadura que só dificulta nossa vida para abrir e fechar o banheiro. Quando olho para aquela fechadura me questiono se ali realmente tem um curso com profissionais de designer de interiores, por que não é nem um pouco funcional. Enfim, fui com o dedo sangrando para a secretaria e pedi um simples  bandaid. Ouvi que não havia caixa de curativo e que não há obrigação de ter. Olhei com um olhar de insatisfação e fui direto para administração do Shopping. Fui atendida como a dignidade que um ser humano deveria ser atendido. O moço limpou meu dedo com povidine e fez um simples curativo por que não havia bandaid. Agradeci a ele pela atenção e por ele ser tão humano de correr atrás de materiais necessários para resolver meu caso. O que mais me impressionou foi que aqueles seguranças que muitas vezes passam tão despercebidos se preocupou mais comigo que a empresa que pago todo mês pra fazer de mim uma profissional capacitada na área de design de interiores. 

Foi um machucado simples, mas na regra do boa educação não preciso perder meu dedo pra ser tratada como uma pessoa. Mas nas vias capitalistas o amor pelo próximo é um animal instinto. Estou escrevendo não só pelo poder da palavra, mas por que teoricamente o Brasil é um país onde a expressão é livre. 

Pagamos caro de curso e a instituição não nos dá condições para desenvolver a competência (como a gente sempre escuta da coordenação). É fácil dizer que estamos mudando o perfil da turma, mas pra mim o Senac está mostrando muito o contrario do divulgam. 

Diz como podemos desenhar em mesas com réguas soltas? Novembro acabou e não vi nenhuma mesa chegar. 

Como podemos estudar tranquilos em um sala onde o ar condicionado estoura água em cima do aluno, fica dias pifado e não gela na maioria do tempo? 

Como podemos apresentar um desenho de um cômodo em perspectiva se na cronograma das aulas temos 2 aulas e um único professor para atender a 19 alunos? 
A nossa sorte é que TEMOS EXCELENTES PROFESSORES. Por que se não fosse isso não valeria a pena tanto sacrifício que cada um faz pra chegar ali as 18h e sair de lá as 22h depois de um dia inteiro de trabalho e afazeres. 

Como podemos nos manter estáveis com um quadro de horas tão instável ?
Quantas pessoas já desistiram e quantas pessoas ainda vão desistir!!! 

Será que eu indico esse curso pra outras pessoas? Fico me questionando isso! 
Por que o marketing viral é que é a alma do negócio e propaganda ruim é igual notícia ruim chega mais rápido que jato. 

Fiquei indignada ontem, por que nos cobram disciplina humana, mas como podemos cobrar isso da instituição? 
Não nos dão nem uma sala com condição para desenvolver a competência, como os funcionários do SENAC vivem dizendo. 

Essa é minha indignação, insatisfação e decepção. Não me importa se alguém vai ou não concordar comigo, mas já que eu sou tratada com cliente e eu pago esse curso, eu tenho que no mínimo ser ouvida. E como uma boa jornalista serei ouvida seja pela coordenação seja por um simples leitor. 





Att,
Aluna do SENAC RIO (Unidade Marapendi)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Preto e Branco



É como se eu estivesse caminhando em uma estrada sozinha e cada passo que eu dou me sinto mais vazia. Como se ninguém fosse me acompanhar, mas às vezes penso que sou eu que não permito. Mas eu me dei uma chance, por que me parecia valer apena toda aquela demonstração de afeto. Tentei por varias vezes escrever, guardo rascunhos e mais rascunhos que me provam isso. Foram dias onde eu dava um sorriso sereno quando eu sutilmente sentia aquele sentimento tão doce entre traços tão rústicos. Gosto desse cuidado, dessa proteção, desse olhar carinho que me marcou no primeiro dia. 

Não sei se haverá o amanhã dessa história, pra mim tão bela e a fera. Mas embora agora eu esteja ressentida e magoada vou lembrar-me de cada beijo, de cada abraço, de cada brincadeira que me irritava, do mar agitado que vimos e de água colorida que dava seu show quando no silêncio senti sua batida do coração naquele primeiro beijo. 

Não sei para onde o destino vai nos levar. Não quero que esse seja o fim. Não quero deixar de alimentar meu sentimento e ter que vê-lo secando naquele canto tão empoeirado. Se esse for o fim não sei de que valeu eu me apaixonar e aceitar tantos defeitos em prol de lindas qualidades. Por que ontem eu experimente um temperamento que eu apenas observava de longe e achava que nunca iria senti-lo de tão perto que parecia entrar em mim. Senti-me humilhada por palavras tão ofensivas e diante de frases tão frias vi meu sentimento ser pisado como uva que não serve para o vinho. Senti meu coração brigar comigo por que acreditei em sentimentos tão nítidos e nobres pra mim. 

Eu queria estar cheia raiva pra ser mais forte, mas não tem espaço em mim pra isso, pois o que sinto por ele é bem vasto. Mas mesclado a ele estão magoas tão acesas e não paro de repetir cada palavra que ouvi ontem na minha mente. Não estou achando as cores nem os pinceis lavados. Eu procuro os por quês, mas não acho o sentido. Estava tudo tão belo, por que essa aflição de um atraso do nada? Por que eu sinto esse medo das seis horas? Por que existe essa briga dentro de mim entre razão e emoção? Por que eu não quero ir embora?

Sei que minha razão não me entende por querer tanto ele. Perdoe-me coração por te deixar sentir-se assim. Talvez escrever pra mim hoje seja a única saída pra aliviar o que não consigo falar. Esse é meu jeito e o problema é de quem não entende isso. Pois nem ligo pra julgamentos como nunca liguei, os julgadores julgam o outro por si. Então, tanto faz o que as pessoas que me viram chorar pensão agora de mim, se é que elas se lembram de mim. 


É como se eu estivesse caminhando na areia da praia onde os ventos são instáveis. A quem em dera arrancar o coração do meu peito e jogar nesse mar imenso o suficiente para Iemanjá levar minha capacidade de amar. Cada passo que dou eu sinto mais frio, mais frio e mais frio.   

domingo, 13 de novembro de 2011

Dois segundos



De repente lágrimas caíram dos meus olhos. Diante de mim a chuva e o vento frio. Do outro lado a decisão que eu não queria. Sabe aquela frase que você não quer ouvir? Aquela que faz sua respiração parar? O dia já não ia bem e o ar simplesmente não chegava completamente aos pulmões. Meu coração parou por dois segundos e bateu desesperado como quem deseja apenas fugir. Não sabia como agir, o que falar ou o que fazer. Eu queria acordar e ver que foi só um sonho. Pensei até que era brincadeira boba do destino trapalhão. Como nos dias sol que a chuva chega sem avisar e esfria nosso corpo. Eu quase cheguei a hipotermia.

Se ao menos tivesse dado motivos entenderia com a mesma tristeza no peito. Mas pelo contrário, tudo está tão suave e sereno, bom e feliz. Eu disse o que sinto diante do não saber o que fazer. Restava-me apenas aceitar como eu gostaria que aceitassem minha escolha. Eu fiquei triste me sentindo de mãos atadas. Pedi a Deus quietinha no silêncio de uma fungada e outra que me ajudasse a transformar isso. Foi quando eu me fiz transparente do que sentia, só não disse que lágrimas caiam. 

Embora eu não saiba onde estou indo queria apenas não deixar de ir. Quero seguir meu coração, quero saber onde ele está me levando e por que. Foi quando ouvi um perdido de esqueça tudo isso. O ar voltou e eu queria abraça-lo no silêncio. Nenhuma palavra, apenas o barulho da chuva e a batida do meu coração.

É fácil parar uma história quando a gente errou. Questionamos o erro, a falta de compaixão e chance. Mas quando está tudo certo é quase impossível não se sentir injustiçada pelo destino. Ainda mais quando se gosta tanto de alguém. E eu gostei tanto, sem por quês, sem quês, sem mais, sem menos, sem onde ou quando, apenas gosto muito dele. 

E eu estou vivendo isso!

sábado, 25 de junho de 2011

Marias


Não consigo escrever sobre minhas emoções tão presas em lembranças tão fortes que não partem e se partem dentro de mim. E se repetem e se perdem entre lágrimas tão escondidas quanto lidas nesse texto oculto que não vou divulgar.
São as cenas que se repetem como filme na mente que insistem em não me obedecer. Então resolvi tatua-las aqui para que assim eu as tenha sem ter que senti-las eternamente quentes dentro do peito que bati ao passo e compasso de vê-la partir.
Não vou falar de tristezas ou de como ela se foi. Vou falar do amor e da força. Enfim, das Marias.
Marias são mulheres fortes que não se dobram diante das dores, choros ou dificuldades. Quem olha de longe pensa até que essas Marias não sentem e mentem sobre o amor que elas têm. Trazem no rosto os traços de suas vitórias tão sofridas e ardidas presas em lembranças muitas vezes mais doloridas que uma faca entrando no corpo incapaz de fazê-la morrer.
Marias são mulheres de porte robusto, pois seu corpo singelo precisou aprender a se defender das batalhas da vida. Mãos calejadas de vassouras e roça com abraços de mãe que segura em Deus para ver o filho crescer. São mulheres decididas e certas de suas convicções e nem o cansaço as faz desistir.
Maria quis partir e ir embora depois de tanta lutar por si. Sim, ela estava cansada e seu rebanho estava pronto pra seguir. Ela teve que ir, pois o pai limpou tudo no alto para ela dormir. Num toque mostrou que o silêncio vale mais que tantas palavras. E se foi semeando o amor, a força e a fé.
Maria deixou lições e saudade. Salvou sua alma da vida e já vai nos olhar de onde estiver. E aqui o apego não quer ir embora e a gente que lembra e chorar sentindo o vazio da incompreensão. O não entender que egoísmo do querer nos impõe. O fardo pesado que as Marias levam desaguam na força que tens. E o lar dessa Maria agora é o reino divino que cheira a Jasmim.
Eu tenho uma Maria dentre muitas que existem. E de todas que tive uma eu vi partir. Ela foi pro Jardim das Maravilhas se juntar aos meus que pegaram esse trem antes deu chegar aqui. “Não tenha medo”, ele disse. “Se encontre com Deus”, eu digo.
Nossas vidas estão cheias desse encanto por que muitas vezes já fomos Maria. E hoje Maria é um código de DNA que corre no sangue de toda mulher que tem fibra e vida pra não se entregar a um tombo. Mas é preciso ter força, raça e sonho sempre para ser uma dessas Marias.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Quem é você?

Eu sou o meu corpo quando dança



"Quem é Ívia Ribeiro?"


Foi o que eu ouvi essa semana. Confesso que enrolei pra responder por que eu não achava certo qualquer resposta. Não por querer esconder algo e sim por achar que é vago demais definir algo que está em constante mutação: o ser humano.


De fato acredito que a visão que tenho de mim nunca será a mesma que o outro vai ter. Tem gente que acha que sou isso e gente que sou aquilo. Mas no fundo só eu sei o que ou quem eu realmente sou, por que meus sonhos, medos e anseios estão dentro de mim. Se é que de fato eu sei por completo...uma vez que ainda ando no caminho do auto conhecimento.


Quando ouvi essa pergunta foi como um filme na minha cabeça de tudo que um dia eu fui, que hoje eu sou e que amanhã posso vir a ser. Acho que Fernando Pessoa é que estava certo "Não me reconheço hoje no que ontem eu fui".


Certezas que se vão com um simples olhar inesperado ou um duro não inevitável. Nem todo mundo consegue olhar no espelho e ver que o nos incomodou anos a fio no outro é tudo que escondemos em nós mesmo.


Eu ouvi tudo aquilo que eu sou calada. Não vou ser dona da verdade nem de mim. Mas o que ninguém viu é que a menina cheia de suas utopias, crenças revolucionária que acredita fielmente que pode mudar o mundo, que sonha com o amor, que rir da piada mais sem graça, que lê coisas cultas, mas que ama livros de magia e que teve que assumir as faces de um a mulher da noite para o dia ainda vive dentro de mim quietinha esperando seus pequenos momentos tão particulares quanto cada pessoa que exige status e postura adulta, dura e absurda.


"Quem é Ívia Ribeiro?"


Foi o que eu ouvi olhando pra um espelho bem acima de mim. Um processo constante de vir a ser...eu pensei! Mas achei melhor dizer o 1% das minhas contradições. Por que o caminho do ser é tão silencioso quanto a briga entre a razão e emoção. Mas a princípio todos somos apenas uma faceta de Deus..e..quem já conseguiu definir Deus? Então basta saber que somos um espirito imortal. Entenderam? IMORTAL... e ninguém pode definir o eterno.


Enfim, sou tudo o que digo que sou, mas no fundo posso não ser nada disso. Então, por que falar sobre mim quando cada um sempre vai ter sua própria opinião?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Un tono breve



Vou contigo a onde for.
Cada passo teu agora é meu também e juntos somos um só coração.
A solidão foi embora por que você chegou e disse: posso ficar?

Meu sorriso foi um sim...

E o sonho mais real se fez verdade dentro de nós.

A mágia antes sentida agora é nota para uma nova musica de amor no violão da minha vida.

E diz somos juntos um e teu amor, ah teu amor...

Tua lágrima junto a minha num breve até já

E leva contigo meu te amo com lágrimas de saudades num papel.

Sim, vou contigo onde for.

Vou até as estrelas buscar o brilho do seu sorriso.

Meu menino, meu homem, amore mio...

Que de tão longe se fez perto, que se deixou atingir pelo culpido.

Guarda a gravata da união na gaveta do coração.

E quando te rever quero sentir o sempre ti voglio bene...

Teu eu te amo, sempre te amo...

É seguro que estou chegando meu bem.

domingo, 5 de setembro de 2010

A paz que eu quero em mim


De repente preciso de todo o silêncio que isso tudo puder me oferecer. Preciso sentar diante de um pôr do sol e deixar minhas lágrimas livres para juntarem-se as águas do mar. Preciso de todo o silêncio para estar diante de mim e ser honesta comigo quanto ao que sinto, não mais no meu coração, mas sim na alma que vive muito antes do meu corpo ser desenhado por Deus.

Talvez esteja chegando a hora de parar de fugir de mim, de negar o que quero. Talvez esteja chegando a hora de ser justa sem pensar no quanto vão me julgar. Afinal, quem está dentro de mim a não ser eu mesma? Quem pode dizer para onde seguir se somente eu sei no que eu acredito perante Deus? Mas o tempo não existe e é isso que me preocupa. Por que se ao menos ele fosse real minhas dores seriam curadas com o tal passar do tempo.

Eu posso vê-lo morrer no próprio ressentimento e se afogar no remoço que o consome. Deus sabe do duelo que há em mim, pois ao mesmo tempo em que fico satisfeita ao vê-lo sofrer sinto o desespero de não conseguir faze-lo olhar o outro caminho.
Não estou apostando na sorte, estou confiando no amor de Deus. Por que todos poderiam sangrar num duelo sem fim. E eu simplesmente quero a paz que sempre habitou no meu coração.

Ele não entende o que tento dizer e acha justo eu passar por cima de tanta ausência de respeito sem ao menos ter a dignidade de me pedir perdão. Ele não engole o orgulho e teme o que eu posso querer. Ele sabe que estrada está chegando ao fim. E talvez entenda que a história seria mais florida sem ela, pois nenhuma ferida seria tão profunda. Por que não sou eu a esquina que desvia essa história que poderia ser simplesmente correta.

Eu preciso de todo silêncio que isso tudo puder me oferecer. Preciso do vento que refresca minha mente e do sol que aquece minha alma tão cansada de lutar. Tenho que ser honesta com o que vivo dentro de mim. Por que esse ciclo está chegando ao fim.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Corações de Papel


Há um rosto no espelho. O que vejo? Aqueles olhos, queixos, nariz e todo pecado. Ele dizia sobre a "vib" certa, de tudo poder. E eu temia o declínio de uma importância justa: a amizade. Aqueles segredos não são meus e a carta das coisas ocultas que insistia em me avisar.


Eu sentia a mudança pouco a pouco, passo a passo e para ele tudo ficava na mesma. Porém eu o via ir cada vez mais para longe trocando passos com a solidão. Sentia falta de cada carinho para mim tão amigo e era tão previsível esse gelo se formar. Ele dizia que eu era um presente e eu não o desejava ausente. E a ausência chegou e logo fui sentindo novamente o frio da falta que um amigo faz.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AVESSO

"Hoje em dia não tenho inimigos, e as pessoas que

porventura não me querem bem o fazem numa via

de mão única, perdendo tempo e mostrando com

atitudes que merecem os infortúitos que recebem."

(Bernardo Valladares)



Este será um raro texto deste blog sem imagem, pois hoje percebi que cada um tem a imagem que deseja criar sobre o outro e não importa o que a gente faça para mudar isso. Hoje ouvi barbaridades que não me atingiram, mas me deixaram perplexa com a capacidade do ser humano em não ser humano. Percebi como o desprezo dói ao outro quando tudo o que oferecemos é o silêncio de passos tão ocultos e a certeza que somos independentes.

Os covardes latem até perderem a voz, armam planos e estratégias que só doem neles mesmos. Os corajosos observam o outro correndo atrás do rabo dos próprios enganos. A minha imagem foi construída de uma forma tão distorcida por influência de uma cabeça tão desumana cheia de ego ferido. Eu poderia rebatê-la e cutuca-la o quanto eu pudesse e desse até que me digam pela frente que sou passional, que minto ou que sou ruim. Isso me prova o quanto o ser humano é pequeno diante de tanta maldade que cega e enverga os perdidos na lama do medo da força que o outro tem.

A cegueira humana não percebe e julga com condutas tão manipuladas. São marionetes que o coração bate pedido autonomia. Poderíamos ter nossos direitos e ai sim ter motivos para parecermos ruins, mas ao invés disso queremos distância dessa gente que tenta morder e ameaça pra mostrar o quanto se sentem acuados. Poderíamos fazer isso agora, nesse exato momento. Poderíamos realmente desestrutura-los por completo. Pensem o que quiserem por que entre ter razão e ser feliz queremos a felicidade da sua distância. Por que aguentamos a quase um ano pancada atrás de pancada, ameaças, falhas, mentiras, traições e a mais nova das atitudes grosseiras: o desejo de constranger e humilhar.

A diferença nossa e dessa gente é que não somos nós que culpamos os outros dos nossos fracassos e quedas. Por que o que define alguém não são os tombos, mas sim a forma de levantar. Na verdade nem lamentamos, pois ganhamos mais tempo aproveitando um momento que não volta. A vida parece longa, mas não é e na dúvida se há outra ou não é melhor aproveitar essa. Por que fomos nós que não fugimos da responsabilidade. Por que não pedimos nenhum conto, ponto ou sequer a lembrança. E ai meu bem, estejam certos de uma coisa, ninguém é uma ilha e atrás de nós pode haver uma legião.


Entenda o que é indiferença, por que se ao menos sentíssemos ódio estaríamos amando pelo avesso. Não há lembranças nessa distância de tempos e dias que correm cada vez mais velozes. Então receba nossas orações. Agora! Ficamos impressionados no como a vida dá voltas e no como as pessoas se destroem sozinhas. Por que a lei do retorno é mais forte e o silêncio faz mais barulho ainda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Luz do Mundo ao mundo


Entre questionamentos e observações do mundo em que vivemos refleti em algumas conclusões. A começar pela vida superficial que as pessoas, quem sabe a grande maioria, está vivendo. Julgamos raça, cor, ações e crenças, impomos verdades, não somos capazes de amar sequer a nós mesmos e esquecemos até mesmo nossos próprios valores. Acredito que seria necessário que o mundo passasse por uma séria reforma moral e cada ser por uma profunda reforma intima.

O nome de Deus é invocado para conseguir coisas tão materiais e findáveis, quando o que não se percebe é como e o que Deus é de fato. Justiça Divina é invocada por um ser que não consegue sequer ser justo com ele mesmo. Falam por ai em ler o livro santo, o que não se é ensinado é como lê-lo. Pois ler a bíblia é fácil, difícil é entender o que ela diz na sua verdade de escrita. Do que adianta ler um livro tão milenar sem estudar a história, a cultura, a época e os costumes daquele povo? Sem isso tudo que for concluído será apenas interpretação tão influenciável quanto a própria vida de quem lê. Pois o que mais há por ai é gente querendo status espiritual. Talvez o que não tenham entendido é que o respeito não se conquista com a falsa sabedoria, mas sim com exemplo de vida integra e conforme o que Deus é. De que adiantaria eu amar a Deus se não sou capaz de, por exemplo, praticar a caridade conforme a própria bíblia, que julgamos tanto quem não lê, diz. Se não há caridade não há amor a Deus. Acredito que Deus não precisa de amores egoístas.

O ser humano tem se preocupado tanto com as divisões religiosas e tem entrado tanto na disputa de quem tem mais razão que não sabe nem ao menos o que significa a palavra "religião". Tal é de origem latina (religio). O significado não é claro. Cícero (106-43 a. C.) no De Natura Deorum afirma que a palavra vem da raiz relegere (“considerar cuidadosamente”), oposto de neglere, descuidar. Já Lactâncio, escritor cristão (m. 330 d.C.), diz que vem de religare (“ligar”, “prender”). Para Cícero, a religião é um procedimento consciencioso, mesmo penoso. Para Lactâncio, a religião liga os homens a Deus pela piedade. Um termo de partida e um de chegada, em que princípio e fim são os mesmos. As duas raízes complementam-se. (Enciclopédia Luso-Brasileira)

Seria importante pensar no quanto as religiões foram destorcidas em função de ações egocêntricas e achismo humano. Acredito que antes mesmo de falar de alguma coisa deveríamos estudar essa 'coisa' que para nós ainda parece tão oculto. Quando se entende melhor de um assunto se respeita melhor esse mesmo assunto. Jesus em sua vinda aqui com seus gestos tão mal compreendidos nos ensinou que o respeito sobrepõe o preconceito. E o que é o preconceito? É o conceito antes de saber o que algo é de fato.

No fundo viemos todos do mesmo lugar com o mesmo objetivo: aprender. A Terra é uma grande escola e nós somos interligados por uma consciência divina única. Percebo que Deus é tão sábio que permitiu que varias crenças fossem criadas para conseguir chegar a todos, pois no fundo falamos do mesmo criador apenas de forma diferente. O que deferência às religiões é as partes humanas que são capazes de errar tanto quanto o próprio ser humano.

Há um mau hábito de julgar e fazer comparações infundadas e a necessidade de sermos coerentes com aquilo que acreditamos e professamos. Quando para estudar outras crenças seria necessário esvazia-se de si mesmo para entendermos a essência do que estudamos sem comparações. Tudo é uma questão de evolução de pensamento. Prender-se a coisas pequenas quando o mais importante é que perdemos um tempo tão raro e precioso com coisas tão sem importância, quando poderíamos estar falando do amor de Deus, da sua essência divina e fazendo caridade. É isso que faz uma alma se encher de luz.

Queridos amigos e irmãos, tiremos as travas dos olhos e questionemos mais o que nós é dito. Vamos gastar mais o nosso tempo em louvores, evolução, estudos e caridades. Deus é mais que preconceito, julgamentos e disputas por razões e fiéis. Não há verdades absolutas, o que existe são espécies de vegetais diferentes no grande bosque da verdade. Somos todos um! Filhos do céu e amados por Deus.

"Amai-vos uns aos outros"

Amar, amar, amar, amar quando tudo em tua volta o contrário ensinar...
Paz profunda é o que desejo...
Bem a todos é que espero...
Luz ... Luz ... Luz do mundo ao mundo


terça-feira, 11 de maio de 2010

São Miguel, São Miguel


Estou quieta e pensativa em um dia nublado qualquer no qual somente meu filho pode quebrar o silêncio que me cerca. Penso se finalmente todo conflito teve fim. Se se eu tivesse ligado para esse anjo antes e tivesse sua guarda como hoje tenho meus dias que se passaram com tantas lágrimas seriam simplesmente livres.

Tanto tempo que o conheço e nós simplesmente éramos próximos tão distantes. E me impressiona quão grande amor nossos mentores têm por nós dois, pois o que ele não sabe é foi também meu presente tão quanto eu fui para ele. Um porto de paz que me permite repousar sem pressões e exigências e estar protegida numa redoma de luz rosa e azul que me envolve com tanto cuidado que embora eu esteja ainda cercada de problemas estou leve, forte e feliz.

"A Utopia" eis a palavra que me fez encontrar ao longo do tempo tão forte cumplicidade que basta fechar os olhos para senti-lo aqui pulsando como as veias que atravessam meu corpo. Que tão cultamente me fez compreender o “soberanismo” do sol e a ousadia da lua que charmosa arrisca exibir sua beleza no território onde sol ainda brilha só para senti-lo mais perto.

As situações simplesmente se encaixam debaixo de decretos tão nobres que o anjo Miguel, guerreiro da luz azul, acolhe com amor incondicional e voa a nosso favor varrendo toda escuridão. E em missão nos aproxima cada vez mais como um toque delicado de magia que traz um suspiro divino dentro da alma livre dos sons e ruídos.


Não sei bem como terminar esse texto, pois o que sinto dentro de mim parece bem mais infinito. Porém quero dedica-lo a um anjo protetor que com o toque delicado de seu olhar divinamente humano tem me feito sentir-se mais pura, mais livre, mais incondicional e principalmente dentro de uma realidade em paz e muito mais feliz.

terça-feira, 30 de março de 2010

MEU PRINCÍPE JAMAL

Para meu filho;



Filhote, por que eu sei que é amor não quero nada em troca. Por que eu sei que é amor não preciso de provas. Desde que soube que estava dentro de mim te acolhi com gratidão. Agradeci por me escolher. Confiei na tua sabedoria e não me questionei se eu era digna ou não, apenas te disse sim. O Sim talvez que muitas almas não tiveram. Então disse a Deus que mesmo que uma multidão me apedrejasse e até mesmo se eu passasse no centro de um furacão e achasse que eu não resistiria eu estaria contigo. E então eu disse a Deus que eu poderia até mesmo perder a vida, mas eu estaria contigo.
Sentir o amor crescendo dentro de mim, etapa por etapa. Eu sempre vou lembrar do teu primeiro mover. E hoje ofereço humildemente meu amor e minha gratidão por que posso sentir e carregar o amor em meus braços e alimenta-lo em meus seios e vê-lo olhar pra mim e as vezes sorrir como um reflexo.
Olho ao meu redor vejo um furacão que me cerca, mas estou em estado de graça sentada no centro de uma jardim que me protege e me conforta onde só eu posso estar. Serei eu por você e você por mim, apenas um formado por dois. Serás apenas meu e teu pai serás o Deus altíssimo. Se me questionar sobre a outra parte de tua história prometo jamais mentir para ti, pois é assim que se mantém a dignidade. Mas terás a liberdade de procurar fagulhas de vida no que hoje morre distante de nós. Serei tua mãe amiga e nós seremos a prova viva do amor de Deus. E a certeza que a paz, a esperança e felicidade existe para quem se decidi por elas.
Hoje já não sei mais se o mundo é tão bom, mas o meu ficou melhor desde que você chegou e perguntou se havia lugar pra ti e passou a me explicou a vida. E ainda hei de aprender muito com teus passos, teus abraços e seu sorriso quando olha pra mim. Tenho aprendido a guardar meus sentimentos profudamente, pois sempre vou lembrar da primeira vez que te olhei.
Eu quero guardar o seu amor na eternidade da minha alma. Estava em meus olhos no brilho da saudade que não se entende. Entendes mais do meu coração do que eu, pois o ouviu por nove meses cada ritmo, cada batida, cada alegria e cada angustia. E por isso que te peço perdão pelos momentos que deixei a loucura fria de um ser insano me abater, pois sentiu comigo toda minha dor. Perdão por te permitir sentir meu corpo vibrando minha angustia com aquele ser que pouco se importa com nós dois. Algumas pessoas sentem medo quando abrem a porta e encontram uma caixa trazendo a tal responsabilidade. Elas desejam fujir, mas algumas não têm coragem. Então, nós as ajudamos mudando nossos caminhos. Nem todo mundo é tão adulto como vou te ensinar a ser.
Quero fazer o teu tudo acontecer, pois sabes bem que te amo muito além do tempo. Para mim você é luz, talvez o que me faltava nesse vão de solidão. Gosto de acompanhar seu sono, de te ver sorrir dormindo, de sentir teu cheiro. É divino te ter nos braços e ser seus braços e pernas enquanto tu és o meu cansaço e eu a fonte que te alimenta. Somos tão suficientes e tão dependentes um do outro. Te olhando nos olhos posso ver a mim.
Bendito seja Deus que me confiou você. E toda intriga cairá por terra, pois serei teu escudo. E Deus será sempre conosco, pois já somos seus protegidos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

DIAMANTES E CASCALHOS



Estou andando no deserto. Há milhões de cascalhos desformes e estranhos. Há alguns diamantes em espaços solitários sobrevivendo e tentando refletir a luz do sol. Tem um diamante que chora quase sem brilho e espaço. Talvez ele não consiga mais suportar a solidão das rejeições de cascalhos tão sem valor. Por que esse diamante não entende sua preciosidade? Por que insiste em perguntar onde ele errou? E culpa, se julga se martiriza, quando o divino está lhe dando o que mais vale na face da terra.

E se ele desmoronar? Se ele não puder mais aguentar? O que iremos fazer? E se ele quiser lutar e não precisar implorar? Será que o cascalho aguentaria? Reconheço que a história está definitivamente toda errada. Mas não o enterre ainda, ele não se quebrou. E se enterrarem o faça em terra fértil para que ele possa se recuperar de todo mal que o fizeram. Pois esse diamante está todo rachado por dentro de tantos golpes que levou quando tentava gerar em paz a paz entre nós.

E se for pra ser assim que não seja, mas, por favor, enterrem-no em pé. Pois nem ele sabe ao menos por que tantas despedidas sem idas. Todos os desenganos e retornos arrependidos de pessoas que não vão ficar. Não me abram mais o tarô é vão e em vão, pois ninguém mergulhou entre suas lágrimas para salvar seus sonhos quando eles simplesmente morriam afogados.


O vazio é o que resta a espera de amor que a amou antes mesmo de existir. Enquanto esse diamante andava entre o labirinto de ventos no deserto que se fez sem sabermos de onde veio e nem para onde vai. Os caminhos de começos sem fins e sem escolhas. O amanhã que parece nunca existir. Mas não falem do amanhã por que o hoje já está insuportável demais.


Padecendo no paraíso! É isso, num presente de futuros tão incertos. Mas caminha mesmo que a estrada não pareça ter fim, pois um dia a estrada acaba, nem que seja por que suas pernas cansaram. Ou apenas, por que até mesmo o diamante mais resistente se quebra quando cai no chão de uma altura bem grande.