quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O labirinto do vale de lírios



Se meu mundo fosse um vale de lírios azuis eu cuidaria de cada um deles como os anjos cuidam de suas estrelas. Olharia a cada amanhecer para as folhas verdes tom sobre tom. Eu não me preocuparia com as nuvens de fumaça que cobrem a terra. Agitaria as folhas do chão com meu giro e tudo no mundo iria mudar em segundos.

Mas estou em um labirinto de paredes estreitas. O vento forte levanta toda poeira e já não consigo ver a diante. Objetos voam sobre mim. O ar começa a ter dificuldade para entrar em meu corpo para se proteger de todo mal. Cada caminho que escolho começa um novo começo. Cada curva que faço não vejo finais.

Se meu mundo fosse uma floresta de árvores grandes eu abraçaria cada uma delas e o mundo entenderia que amor está em cada palavra que digo. Eu sussurro baixinho para os pássaros voarem. Se as pessoas rastejassem a vida inteira saberia a importância do casulo. E dariam graças a Deus por suas asas após isso.

Mas estou em um labirinto de fumaças. E cada passo que eu dou começa um novo começo. Nada finda e as mudanças me causam medo e ansiedade. Não vejo o chão onde piso e nem vozes que possam me guiar. Eu grito, mas eco reproduz minha própria voz que me condena pelo que não quis.

Se meu mundo fosse um vale de lírios azuis eu entenderia por que as pessoas choram ao invés que observar a chuva. Acordar de manhã dando graças pelo ar que respiro. Sentaria perto de um esquilo e comeria junto a ele uma noz. Correria pela mata como os tigres que mostram sua fortaleza em cada impacto de suas patas no chão de terra úmida.

Mas estou no labirinto de paredes cimentadas em movimentos. Tudo é novo e não sei mais para onde ir. Não acho meu mapa de planos e preciso achar novas direções. Alguém olha por mim, mas a solidão nos espaços me faz ouvir o vazio. Não há dias ou noites, sorrisos ou choros. Um novo começo, sempre um recomeço sem expressões faciais, sentimentos que se reprimem.

Se meu mundo fosse um vale de lírios do vale eu andaria com os pés na terra. Saltaria do alto nas águas do rio que corre abaixo de mim. E as pessoas entenderiam que o amor às vezes vai nos fazer chorar. E então deixariam as lágrimas caírem livres como se ninguém pudesse vê-las cair. Eu observaria o vale da montanha mais alta e guardaria em meu interior cada detalhe da beleza para que os homens soubessem que o quanto um coração pode voar longe.

Mas estou num labirinto de novos começos, onde nada tem um final. Então penso nos prédios da cidade e desejo as casinhas das fazendas onde cresci. Os riachos eram mais doces e as lembranças me ajudam a caminhar por entre essas paredes escritas. Pois o tempo sempre achara um jeito deu sair daqui. Mas o tempo não existe então caminho sem olhar para traz. Busco uma nova esperança que faça minha fé florescer.

O vale dos lírios azuis é feitos de nuvens serenas. O labirinto é formado por linhas que deslizam pelo espaço e tempo e se forma com cada passo meu. Olho as paredes do labirinto e vejo imagens dos meus pensamentos. Faço chover com meus desejos, a força do meu pensamento e o vento já não tem a força de levantar a poeira que se molha. Eu danço no vale dos lírios do vale e meu vestido se move nas asas da liberdade. E as paredes vão tornando-se árvores que brincam e o vazio é preenchido por folhas verdes que se enfeitam de lindos lírios azuis. Labirinto e vale se mesclam ao meu redor e eu percebo que tudo é parte do meu sentir.

O labirinto me ensina a crescer, ser forte e persistir. O vale dos lírios me faz entender que o amor estará sempre comigo toda vez que eu me erguer. E o mundo irá entender que aqui estou eu com histórias contadas uma a uma. Pois o amor ilumina meus olhos nas estações mudadas dos meus sonhos.





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