quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Que país é esse?

Fale agora ou cale-se para sempre!


“Começa agora o horário eleitoral obrigatório. Dentro de alguns minutos voltaremos com a nossa programação normal.”

Agora que o aviso já foi dado e temos alguns minutos com a televisão desligada é justo conversar. Vamos começar falando dessa tal Democracia. “Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. É um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade*.” Sim, temos o poder de eleger quem nós queremos, mas e depois? Depois a decisão foge simplesmente das nossas mãos. Não votamos em leis, ninguém nos pergunta o que é melhor. Então vamos questionar essa tal democracia. Somos um Brasil democrático, mas o voto é obrigatório e a propaganda eleitoral nos meios de comunicação também são. Mas a democracia não era a institucionalização da liberdade? Então o que houve?
Desculpem-me por ser tão injusta falando assim, afinal está tudo bem, todo mundo está feliz. O salário subiu, o desemprego caiu! Então nada mais justo que aumentar a luz, o preço dos alimentos, os juros. Afinal o Brasil é um país rico e não existe família sobrevivendo com um salário mínimo, ou devo dizer micro? Faça-me o favor né! Que país é esse?
Temos mais 20 minutos de propaganda eleitoral e agora vamos ligar a televisão para descontrair a conversa. Tem um homem falando um monte de coisas. Esse texto está gravado na sua memória ou ele está lendo? Bom, seja lá o que for é cheio de promessas utópica e provavelmente não foi ele quem escreveu. Que políticos mais robóticos! Será que fazem parte da mesma companhia teatral?
É ano de eleição e isso é preocupante, pois temos mais quantidade do que qualidade. É o Zé da feira, a Maria da padaria, o pastor da tal igreja, a Joana da esquina. A propaganda avisa: “Pense, pesquise o passado dos candidatos. Quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem.” E a verdade é que não que as coisas não estão bem, elas estão péssimas. E o que fazer quando a maioria não tem passado? E quando tem um histórico, o que fazer quando é sujo? Perdoar e dar uma chance? Afinal, o candidato pode ter feito analise e agora é um ser humano melhor e que não se corrompe diante do poder. Isso é talvez cair no vicio da inocência, pois em ano de eleição todo mundo parece convertido a Deus. Mas a verdade é que nossa pátria amada está cada dia mais como uma novela mexicana. Eles de um lado tentando fazer com que nós tenhamos uma visão mais otimista dessa sujeira que ninguém pretende limpar. E nós do outro sentado no sofá afirmando que não tem mais jeito.
Há alguns poucos anos atrás tínhamos voz ativa nas ruas. Mudavam as coisas na insistência. E agora? Onde estão aqueles jovens idealistas? Envelheceram e esqueceram de passar essa herança aos seus filhos ou estão cansados demais para lutar? As eleições estão chegando e quem está lá em cima não se preocupa em selecionar melhor quem pode se candidatar. Mas nós podemos selecionar bem quem pode ganhar ou perder. Não somos crianças vendo desenho animado por 30 minutos antes de uma novela começar, embora esteja sendo criada uma sociedade de adultos infantilizados. Somos a grande maioria e se eles não fizerem nada nós devemos fazer. Por que quem estava certo era Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”.


* Fonte: http://www.embaixada-americana.org.br/democracia/what.htm

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

MINHA VIDA SEM MIM

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Fico imaginando minha vida sem mim. Fico pensando na minha ausência. Talvez minha vida sem mim não seja minha. Ou talvez, ela seja eterna devido as lembranças que posso deixar. Fico contando quantos espinhos percebi que tinha. Talvez se eu tivesse notado antes teria dado mais sorrisos sinceros, por que espinhos não machucam rosas. Quando olho minha vida sem mim vejo que eu como rosa me preocupei muito com o vento forte, com coisas que podiam me destruir enquanto os espinhos cuidavam da minha segurança e eu simplesmente os esquecia. Percebi ao ver minha vida sem mim, que poderia ter sido espinho ao invés de furacão na vida de alguém só me pediu carinho e permissão. Fico me perguntando como seria minha vida sem meu sorriso. Então descubro que muitas vezes eu simplesmente não fui eu. Fico me preocupando com o que as pessoas vão sentir. Talvez eu seja só mais uma flor ao vento ou quem sabe mais uma pessoa que caminha no mundo. Fico olhando a forma de ser das pessoas na rua e reflito na minha vida sem minhas ações. É, talvez de fato minha vida sem mim realmente não seja minha, mas quero que saibam que um dia eu talvez existi. Fico pensando na minha vida sem mim quando olho meus projetos. Fico inquieta e quieta ao refletir nisso. Quando tento ver minha vida sem mim percebo que até hoje vivi muito mais pelas pessoas do que por mim. Noto que não me ouvir e nem me entendi perfeitamente como eu deveria. Reconheço as tantas vezes que eu tinha razão. Sento na varanda e penso se um dia poderei saber como seria minha vida sem mim. Talvez eu seja simplesmente mais uma lembrança esquecida. Minha vida sem mim poderá ser como livro em sebo velho, como foto em preto e branco ou quem sabe será mais que penso ser hoje. Então penso que minha vida sem mim é como luz que ilumina o dia de amanhã. É a lua que reflete amor no mar. É flor que nasce em meio às rochas. É fonte d'água para matar a sede de quem busca algo. É a força que surgem sem origem certa. Talvez minha vida sem minha presença seja mais uma vida ou quem sabe um suave sono sem despertar. Observo o caos que eu crio com pequenas insoluções do momento e fico tentando imaginar minha vida sem mim. Acho que vou sentir que muito tempo foi perdido. Vou saber que deveria ter vivido mais e pensado menos. Vou entender que todas as coisas que perdi talvez fossem frutos de um erro. E vou saber que passou o tempo de refazer tudo que poderia ser refeito. Vou entender que o dia presente de todas as chances acabou. Acredito que irei pensar no como teria sido se, por exemplo, eu tivesse mergulhado naquele mar que tanto amei. Quando penso na minha vida sem mim eu penso no presente e em todas as pessoas que gostaria de dizer que amo. Percebo que na verdade a única coisa certa é que um dia todos verão a vida sem alguém, mesmo que esse alguém seja a gente mesmo. Fico imaginando minha vida sem mim e percebo que muitas coisas que me preocupo são superficiais. Elas não vão parar se eu não existir. Noto, quando tento olhar minha vida sem mim que posso ser muito mais feliz agora que reconheço isso. Por que quando vejo minha vida sem mim percebo que nada depende totalmente de mim para funcionar e muito menos para existir. Sou parte de uma grande máquina da vida, mas não sou o coração que move essa roda gigante. Sou apenas uma gota que ajuda a formar o mar. Sou apenas um pêlo no corpo de um urso. Sou um grão de área no meio da praia sozinha. Então, percebo que tentar imaginar minha vida sem mim me faz ver e crer que posso viver muito mais o que ainda não decidi viver por mim.